Thursday, May 15, 2008

O fim do cibachrome

Acabei de receber um telefonema de minha galerista que está em Paris, acompanhando a ampliação de alguns dos meus trabalhos em Cibachrome. Normalmente acompanho pessoalmente qualquer ampliação, mas se tratando de Cibachrome nem sempre é possível, pois o processo somente é feito em Paris (com qualidade excpcional a um preço viável). Mas voltando ao telefonema, acabo de ser informado que o laboratório está fechando as portas mês que vem. A razão: dificuldade para se conseguir matéria prima para o processo analógico. Acredito que os outros poucos laboratórios que trabalham com Cibachrome no mundo irão seguir o exemplo – ou seja, o mais perfeito processo de ampliação colorida está chegando ao fim.
O que é o Cibachrome ? Trata-se do processo mais direto da fotografia. A imagem é captada em cromo (um positivo) e ampliado diretamente para o papel. Assim, existem duas etapas a menos que na ampliação tradicional do negativo (no processo do negativo, na hora de se tirar a foto, a imagem é convertida para negativo e na hora de ampliar, é convertida para positivo novamente, ou seja, são duas etapas a mais). Por ser um processo direto, o Cibachrome é o mais nítido de todos os processos de ampliação e também o mais fiel à realidade. Exibe uma infinidade de degrades e cores que o negativo e o digital não suportam, e consegue dar um volume aos tons de preto. Um Cibachrome bem feito dá uma perfeita noção de profundidade, beirando o olhar tridimensional do ser humano. Quem segura um cibachrome na mão, tem a impressão de estar segurando uma jóia. É um processo extremamente complicado e tóxico, razão pelo qual sempre foi caro e restrito ao mercado de arte. No Brasil Miguel Rio Branco foi o grande difusor desta técnica. Agora, ao exemplo do que aconteceu com a daguerreotipia na fotografia em preto e branco, a tecnologia unida à produção em massa está fazendo desaparecer o mais perfeito processo de ampliação colorida. Uma dica para quem coleciona arte: aproveite e compre os últimos exemplares desta técnica, pois em alguns meses desaparecerão do mercado.

2 comments:

Fred Jordão said...

Felix,

Me acustumei a ver o velho Ciba como o melhor dos mundos na copiagem fotográfica, mas recentemente ví cópias do Vik Muniz em Chromogenic Print, e não sei a distinção entre estes processos. Vc teria uma luzinha?
Meu site esta ficando pronto, aproveito para lhe convidar a conhece-lo.
Abs,
Fred

Felix Richter said...

oi fred

o chromogenic print (conhecido como c-print) é o processo tradicional de fotografia, do negativo para o papel. o processo mais conhecido desta técnica é o C41, o C vem justamente de "chromogenic". C41 é a revelação padrão que qualquer lab de 1 hora faz. com certeza o Vik utiliza-se de quimicos e papeis especiais para deixar o processo o mais perfeito possível. esperto ter lhe ajudado.