Friday, April 24, 2015

eterno

chego a conclusão de que tudo é o oposto do que sempre acreditei, tudo é eterno. cresci ouvindo que tudo era passageiro, mas de repente me deparo com a eternidade na essência de cada gesto, de cada movimento e de cada conduta. minhas relações, experiências, expectativas, frustrações e verdades são frutos da eternidade. sou eterno e na eternidade encontro a paz.

Tuesday, March 24, 2015

o polêmico caso de Anglina Jolie

o polêmico caso de Angelina Jolie

Primeiro foram os seios, agora os ovários e as trompas. Numa suposta medida para evitar o câncer, Angelina retira seios e órgãos reprodutivos. Tudo respaldado em moderníssimos exames, que comprovariam que ela tinha 87% de chances de desenvolver câncer.

É curioso que esses exames existem para promover uma cirurgia. Pensem bem: se esse exame existisse para câncer de pulmão, qual seria a solução? Retirar o pulmão? E para o fígado, os ossos, a medula e o cérebro? O que se faria? Não é possível desossar uma pessoa por causa de uma probabilidade de câncer nos ossos. Não é possível retirar cérebro nem fígado. Aliás, se esse exame fosse realizado em homens, para detectar a possibilidade de câncer nos testículos ou na próstata, algum homem retiraria esses órgãos na certeza (ou no risco) de ficar impotente? Acho que mesmo se um exame desse 99% de probabilidade, um homem não retiraria os testículos em função de uma probabilidade. Então, por que a mulher deve retirar os seios e os ovários em função de uma suposta probabilidade?

É fundamental que a indústria da medicina tenha liberdade para pesquisar e para desenvolver metodologias, mas é tão fundamental quanto que se discuta os desdobramentos éticos das metodologias. Desenvolver um exame que induz à retirada de seios e de órgãos reprodutivos das mulheres me parece no mínimo polêmico. O câncer é, até hoje, um dos mistérios da medicina. Existem probabilidades e há estudos que ligam genes a essas probabilidades, mas também há estudos, de importância igual, que ligam o modo de vida ao surgimento de câncer. Quem mora numa cidade poluída, quem fuma, quem se alimenta com fast-food, quem come muito açúcar, quem usa drogas inibidoras do sistema imunológico, quem dorme pouco, quem se estressa no trabalho, quem tem muitos problemas pessoais, quem usa muitos cosméticos, cremes e outros produtos químicos, quem vai pouco ao sol e quem faz pouco exercício físico tem uma probabilidade absurdamente maior de desenvolver câncer que uma pessoa com hábitos considerados saudáveis. Não seria mais interessante usar as pesquisas genéticas nesse sentido? Dizer à mulher: olha, você tem, teoricamente, uma probabilidade maior de contrair câncer, assim, é muito importante que você tenha uma rotina saudável e faça exames de rotina.

O que mais me incomoda nessa questão específica é que se trata duma intervenção violenta, aplicada à mulher e justamente à sexualidade da mulher. Ataca-se a reprodução feminina. Vejo vestígios duma sociedade casta e moralista nesse procedimento, a crença de que a sexualidade feminina leva à degradação. Ninguém corta o saco dum homem por probabilidade de câncer, mas arranca-se os seios da mulher na maior naturalidade. A virilidade do homem é tão importante quanto o pulmão, porque a reprodução feminina não o seria? Conheço mulheres que tiveram câncer e retiraram os seios. A grande maioria está super bem e se livrou 100% do problema. O importante é que fizeram exames preventivos. Agora, antecipar-se ao câncer retirando seios, ovários e trompas, porque a indústria desenvolveu um suposto teste de probabilidade é insano. É um desrespeito à mulher. É dizer que os órgãos reprodutores e os seios são dispensáveis. É reduzir à mulher. É um desenvolvimento covarde da medicina.

observação (25/3/2015): respeito 100% a opção de Angelina. é um direito dela decidir sobre o próprio corpo. preocupa-me apenas que outras mulheres possam ser induzidas, por esses exames e pela divulgação na mídia, a tomar a mesma decisão extrema, quando existem outros caminhos e quando se trata apenas de probabilidade. probabilidade não é fato, e cálculo de probabilidade, quando se trata de doenças e de curas, é um dos campos mais polêmicos que existem na medicina. mas repito: cada mulher faz o que quer.

Sunday, March 15, 2015

manifestações de 15 de Março de 2015

o que não se pode, de maneira alguma, é reprimir as pessoas que hoje foram as ruas para protestar. a manifestação é um direito legítimo, absoluto e intocável numa democracia. negar esse direito, ao afirmar que os manifestantes incentivam um golpe, é viver a realidade do golpe, que se caracteriza, justamente, pela proibição da livre manifestação.

Friday, December 12, 2014

mentira e verdade

Penso que há dois opostos que nos dificultam o dia a dia: um é a mentira, o outro é a verdade.

Friday, November 28, 2014

arte e cachaça

cheguei a conclusão de que a arte é a cachaça dos fracos. a cachaça dos fortes é cachaça mesmo.

Tuesday, October 07, 2014

legalizar o aborto?

discussão polêmica: a defesa do aborto virou um must entre as pessoas supostamente instruídas. em defesa do aborto, pesa o direito de opção da mulher para encerrar uma gravidez e a preocupação com a saúde das mulheres (uma vez que abortos clandestinos causam muitas vítimas). na discussão, oculta-se, porém, uma bandeira importante: o direito à vida das crianças na barriga. evidentemente, as crianças não nascidas não dispõem de mecanismos para garantir a própria vida. deveria o estado abandoná-las à sorte? é preciso lembrar que os abortos, ao contrário de 30 anos atrás, tornam-se cada vez mais rotineiros. se entre as décadas de 1950 a 1990 o aborto fosse tão comum como é hoje, talvez 10% de nós, que estamos aqui discutindo, não teria nascido. é pra se pensar. hoje existem exames genéticos cada vez mais precisos, que adiantam a cor dos olhos, a provável altura e eventuais doenças genéticas da criança que está para nascer. conhecendo a loucura humana, é certo que haverá mães que optarão por fazer um aborto, pelo fato da futura criança ter olhos escuros e um pé torto. o caso da mulher que morreu recentemente em Niterói, após fazer um aborto clandestino, é um bom exemplo: ela tinha três filhos saudáveis e o marido queria ter o quarto filho, mas, mesmo assim, ela interrompeu uma gravidez no quinto mês, pois acreditava que um novo filho iria atrapalhar a vida profissional. quem já viu exames de ultrassom sabe que no quinto mês de gravidez a criança está formada. o estado não deveria proteger essa criança?

Thursday, September 18, 2014

momento Narcisa

após o vídeo hilário de Narcisa Tamborindeguy na ARTRIO, confesso que já tive um momento Narcisa. foi no início da década passada. eu passeava pelo Shopping Cassino Atlântico, quando me deparei com um vernissage na hoje extinta Galeria 21, dos queridos Afonso Costa e Valéria Braga. receberam-me com uma taça de champanhe, e quando dei por mim estava de pileque e admirava obras de arte que eu não fazia ideia de quem eram. a certa hora, deparei-me com uma gravura que imediatamente reconheci ser de Oswaldo Goeldi. perguntei à Valéria Braga pelo preço da gravura. ela, para minha surpresa, puxou um homem na casa dos quarenta pelo braço e disse: “pergunte ao artista.” fiquei perplexo; pelo que eu sabia Goeldi estava morto fazia algumas décadas, mas, pego de surpresa e com champanhe na cabeça, resolvi tirar a história a limpo, virei-me para o artista e perguntei: “você é o Goeldi?” a resposta foi um fulminante olhar de desprezo. sem nada dizer, o artista deu me as costas e abandonou-me com minha dúvida ignorante. mais tarde descobri que se tratava de uma intervenção no trabalho de Goeldi e que o artista que me fora apresentado era o interventor, Nuno Ramos.

o que Narcisa e eu temos em comum nesses dois momentos é que quebramos a rígida norma de como se comportar no meio das artes. cometemos o pecado capital de fazer perguntas tolas num meio que se proclama aristocrático. o curioso é que a arte, como expressão da liberdade, tem como principal objetivo, justamente, a quebra de hierarquias engessadas. muitos se perguntam de que maneira a arte poderá evoluir daqui para frente, uma vez que todas as barreiras criativas já foram superadas. talvez o caminho seja a queda da torre de valetes, e o futuro da arte esteja na simples reconstrução horizontal. talvez também não. mas certo é que episódios como o protagonizado por Narcisa devem nos levar à reflexão; afinal, pode um ambiente com rígidos protocolos promover a livre expressão?

Sunday, July 27, 2014

palavras e fotos

queria poder fotografar as palavras. registrar o instante preciso que uma palavra representa em determinado momento. palavras são camaleões emocionais, nunca, jamais, repetem o mesmo significado. o frio de hoje é diverso do frio de ontem. o amor de João é diferente do amor de Maria. gostaria de fotografar as palavras para poder congelar exatamente o que se quis dizer em certo instante. depois que ditas, ninguém sabe repetir o que significam.

Sunday, July 20, 2014

conflito Israel x Palestina

o assunto mais ingrato para se comentar é o conflito Palestina x Israel. quão maior o esforço de abordar a questão de forma neutra, maior a certeza de que aquele conflito é um espelho de milhares de conflitos em todo mundo. aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, vivemos situação bem parecida; milhares de pobres residem praticamente trancafiados nas favelas e têm como principal apoio organizações humanitárias e organizações criminosas locais. aqui não existe uma fronteira física separando os dois lados, mas a fronteira invisível existe, e o lado de cá não aprecia quando o lado de lá se aventura pelos shoppings e cinemas da área nobre. a invasão militar, como resposta a crimes, também é um método que nós usamos. quando um bandido de uma favela assassina uma mocinha da área nobre, o Bope invade aquela favela e a ação também traz como efeito colateral a morte de alguns civis. nossa sociedade, assim como Israel faz em relação à Palestina, acostumou-se a tolerar a morte de civis nas favelas, quando o pretexto é manter a ordem e reprimir criminosos que lá se escondem. por isso, não me sinto em posição de opinar no conflito Israel x Palestina. creio ser preciso, antes de opinar em conflitos alheios, arrumar a própria casa. desafio qualquer um a comparar o número de civis mortos pela polícia brasileira ao de civis palestinos mortos pelo exército de Israel. a nossa guerra causa mais mortes.

Saturday, July 19, 2014

a estranha moda das doações em festas infantis

a tradição de presentear o aniversariante originou-se nos ritos religiosos: da mesma maneira que se acendia velas nos templos e se fazia oferendas aos deuses, presentear o aniversariante (e acender velas no dia do aniversário) era um gesto de desejar boa sorte e pedir proteção para o ano que se iniciava. aos poucos, a tradição religiosa transformou-se num ato de carinho com o aniversariante. finalmente, virou obrigação – ir num aniversário sem presente é falta de educação. essa obrigação transformou o antigo rito num festival capitalista. hoje, quando vamos num aniversário de criança, é preciso passar antes numa loja de brinquedos. o resultado é, na regra, um monte de presentes de plástico que são deixados de lado pela criança aniversariante após poucos dias.

algumas mães, cientes desse consumo que perdeu o  sentido e ecologicamente incorreto, resolveram mudar o rito: pedem que os convidados façam doações a uma instituição que cuida de crianças carentes. a iniciativa é em si muito nobre, mas distorce tanto a origem do presente como o gesto carinhoso que o presente representa. pelo ponto de vista da origem, deixamos de desejar sorte ao aniversariante; pelo ponto de vista do carinho, ficamos impedidos de dar algo pessoal para o filho dum amigo numa data especial.

sou 100% a favor de filantropia e penso que, num país desigual como o Brasil, temos todos o dever moral de contribuir de alguma forma (seja com dinheiro, com ajuda braçal, com doação de roupas ou até mesmo com aconselhamentos) para ajudar pessoas carentes ou ignorantes, mas penso também que é preciso tomar cuidado, para não distorcer o sentido dos gestos. quem quer fazer filantropia, faz por livre vontade, não porque os pais dum aniversariante pediram. e quem quer dar um presente para o filho dum amigo, tem o direito de dar o presente.

quero deixar claro, porém, que entendo a iniciativa; também sempre me questiono sobre o sentido de meu filho receber um monte de brinquedos impessoais de plástico, mas, por outro lado, é inegável que sempre há um o outro presente pessoal no meio, escolhido com muito carinho. não tenho, portanto uma conclusão definitiva. apenas uma reflexão.

Friday, May 30, 2014

raízes

penso que hoje o grande problema do Brasil é a complexidade emocional que o país demanda dos brasileiros. não é a toa que vivemos uma onde de violência sem precedentes, seja nas manifestações enfurecidas, nos atos exaltados de grevistas, no roubo na esquina ou na banalização de desentendimentos entre vizinhos. o constante bombardeio por injustiças e corrupção, a decadência do sistema político, a inércia operacional do aparato público e a falência de setores primordiais, como educação e saúde, levam os brasileiros a uma exaustão emocional diária, que, não é a toa, transformaram-nos no maior consumidor de Rivotril do mundo.


qual a solução? mudar-se para fora do país não seria, também, uma forma de rivotrilar-se? ficar e estressar-se à exaustão não seria um desgaste desnecessário? creio que, quando tudo parece estar errado, a transformação está em curso. o desequilíbrio do meio é, talvez, a maior escola da alma humana. por isso, chega dessa conversa de sair do Brasil. aqui é o nosso lar. aqui é nossa escola da vida. árvore que cresce durante a tempestade cresce apta a enfrentar qualquer turbulência futura. o segredo é não descuidar das raízes. 

Friday, May 23, 2014

massa humana

quem conseguir por um instante quebrar qualquer vínculo prático ou emocional com o mundo perceberá que, apesar de tantos males, não há nada mais apaixonante que a massa humana. é na absoluta contradição que somos fascinantes. como fagulhas dum imenso fogo, na tentativa de preservar a madeira que as chamas consomem.

Sunday, May 18, 2014

porta para o novo

e de repente surge uma porta. vaga-se por semanas, meses, anos, sem encontrar saída, então, de forma aparentemente inexplicável, surge uma passagem. espia-se pela fechadura, e o novo arranca as entranhas da zona de conforto. o impulso é trancar a porta e apegar-se ao antigo, que, até então, não trazia atrativo algum, mas o antigo se dissolve e deixa somente duas opções: atravessar a porta e viver o novo ou permanecer e dissolver-se também.

Monday, May 12, 2014

tempo de retração (greve de ônibus e de professores)

voltemos, então, aos tempos do homem da caverna; sem ônibus, só nos resta ficar em casa, e, sem professores, às crianças também. da televisão se faça a nova alegoria da caverna, imagens do mundo nas paredes dos lares. existe solução? dentro do sistema, definitivamente não. quando o caos se consolida ao ponto de nos jogar de volta às opções primitivas dos primórdios, só nos resta descartar o universo que julgávamos compreender. é tempo de retração.

Thursday, December 12, 2013

projeto Porto Maravilha e o caos provocado pelas chuvas

grande parte dos investimentos feitos no Rio de Janeiro estão indo para o projeto Porto Maravilha. a pergunta inevitável, após o caos das chuvas: o Porto Maravilha é prioridade? discordo das comparações com Buenos Aires, pois são duas realidades distintas. Buenos Aires não tinha áreas de lazer em contato com a água, por isso revitalizaram o porto. uma vez que a capital da Argentina beira o famoso Rio da Prata, era fundamental, para o turismo da cidade, que a região portuária, em contato com o Rio da Prata, fosse revitalizada. No Rio de Janeiro, o grande atrativo turístico e de lazer são Ipanema, Copacabana e todas as outras praias (além de museus, Corcovado etc). Muito mais importante, para o turista e o carioca, do que revitalizar o porto, seria despoluir, de uma vez por todas, as praias. também seria infinitamente mais barato. e o com o restante da verba, seria possível resolver questões que se alastram por décadas, como o alagamento da Av. Brasil em dias de forte chuva e o estado precário do  Museu da Quinta da Boa Vista. não sou contra a revitalização do porto; apenas considero que há centenas de outras prioridades.

Saturday, November 30, 2013

doce vida insana

doce vida: estava sozinho no escritório, os olhos fixos na tela do computador. desvio o olhar e vejo um passarinho amarelo pousado no parapeito da janela, olhando para dentro da sala. parei o que fazia e observei o pássaro que lá ficou por um minuto. eu trabalho naquele mesmo escritório há quatro anos, e nunca antes um pássaro admirou minha sala. quanto mais eu penso sobre esse momento singular, mais tenho a certeza de que não há qualquer lição ou ensinamento no episódio. tratou-se, somente, dum pássaro observando minha sala. o encanto daquele momento está justamente nessa ausência de qualquer propósito, como o sorriso das crianças ou a estrela cadente. são as sutilezas sem objetivos que fazem doçura da vida insana.

Saturday, November 23, 2013

arte low cost

tenho minhas dúvidas a respeito dos tantos projetos (sites, lojas, galerias etc.) de slogan “arte barata”. o chamariz é sempre o mesmo: arte acessível, arte para todos os bolsos. incomoda que o critério principal é o preço baixo das obras, fazendo uma suposta oposição ao mercado capitalista da arte, que estaria promovendo preços exorbitantes. bem, no momento em que o critério de seleção é o preço (mesmo que baixo), cai-se numa tremenda armadilha contraditória: o critério primordial de qualquer mercado é justamente o preço. ou seja, no final das contas, tudo gira em torno do preço, e a venda de arte low cost é igualmente alinhada com o mercado. explora-se apenas um público diverso das grandes galerias. algo como as lojinhas que vendem tudo por 99 centavos.

Monday, October 21, 2013

instituto Royal e os testes em animais

há dois fatos que se misturam na questão do instituto Royal: uma é a invasão do instituto; a outra é o uso de cães e gatos em experimentos. vou me limitar apenas aos experimentos.

poucos séculos atrás, havia escravos no mundo, e dizia-se que, sem escravos, não haveria a possibilidade de se promover o progresso da humanidade. foi preciso muita pressão e ativismo, para derrubar as verdades enraizadas nas sociedades daqueles tempos. hoje, a humanidade quer que se encontre métodos alternativos para experimentos com animais.


é uma posição extremamente confortável dizer que não há outro caminho. não há, porque não há pressão para que haja. se deixássemos, os laboratórios testariam remédios em crianças, aliás, há milhares de relatos de experimentos ilegais com pessoas na África. se hoje ainda não existem caminhas alternativos, os ativistas querem, ao menos, limites. cães e gatos são animais de estimação, que nos são muito próximos. da mesma forma que é proibido comer cães, pessoas querem o fim dos experimentos com cães. querem que se limite os experimentos, enquanto não haja outra alternativa, aos ratos de laboratório; e que, a curto, médio ou longo prazo, também os ratos sejam poupados desses testes cruéis.

Thursday, October 17, 2013

a polêmica em torno de chico buarque

sempre achei exagerado o culto em torno de chico buarque, um exemplo clássico em que o público confunde criação com criador. a verdade é que chico canta bem, chico escreve bem, chico tem olhos verdes e ponto. tudo além é imaginação. por isso, agora, esse ódio exagerado, como se a máscara de chico tivesse caído. é preciso perceber que chico nunca vestiu máscara alguma, sua imensa legião de fãs é que o mascarou de homem perfeito. agora, faz-se um falso demônio do falso santo. o chico pessoa é apenas um sujeito igual a nós, com opiniões controversas e talvez equivocadas, como todos nós as temos. o mesmo vale para caetano e roberto carlos. é preciso parar de dar tanta importância às opiniões dos artistas; o que conta é o que criaram. afinal, um rouxinol também canta como poucas aves, mas nem por isso é formador de opinião no reino animal.

Tuesday, September 03, 2013

velas ao vento, navegante

existe algo maior que o brilho nos olhos dum jovem, aquele luzir arrogante que atropela pessimismo e desesperança, desafiando-nos a ver um futuro renovado, em que sonhos e certezas se fundem num aconchego, num abraço de esperança incontida, revelando que nossas verdades não passam de tolas cicatrizes, traumas de um mundo que parece punir os sonhadores, enquanto, na verdade, apenas pune os que desistem? velas ao vento, navegante.