Friday, November 28, 2014
arte e cachaça
cheguei a conclusão de que a arte é a cachaça dos fracos. a cachaça dos fortes é cachaça mesmo.
Tuesday, October 07, 2014
legalizar o aborto?
discussão polêmica: a defesa do aborto virou um must entre
as pessoas supostamente instruídas. em defesa do aborto, pesa o direito de
opção da mulher para encerrar uma gravidez e a preocupação com a saúde das mulheres
(uma vez que abortos clandestinos causam muitas vítimas). na discussão, oculta-se,
porém, uma bandeira importante: o direito à vida das crianças na barriga. evidentemente,
as crianças não nascidas não dispõem de mecanismos para garantir a própria vida.
deveria o estado abandoná-las à sorte? é preciso lembrar que os abortos, ao
contrário de 30 anos atrás, tornam-se cada vez mais rotineiros. se entre as
décadas de 1950 a 1990 o aborto fosse tão comum como é hoje, talvez 10% de nós,
que estamos aqui discutindo, não teria nascido. é pra se pensar. hoje existem
exames genéticos cada vez mais precisos, que adiantam a cor dos olhos, a provável
altura e eventuais doenças genéticas da criança que está para nascer.
conhecendo a loucura humana, é certo que haverá mães que optarão por fazer um
aborto, pelo fato da futura criança ter olhos escuros e um pé torto. o caso da
mulher que morreu recentemente em Niterói, após fazer um aborto clandestino, é
um bom exemplo: ela tinha três filhos saudáveis e o marido queria ter o quarto
filho, mas, mesmo assim, ela interrompeu uma gravidez no quinto mês, pois
acreditava que um novo filho iria atrapalhar a vida profissional. quem já viu
exames de ultrassom sabe que no quinto mês de gravidez a criança está formada. o estado não deveria proteger essa criança?
Thursday, September 18, 2014
momento Narcisa
após o vídeo hilário de Narcisa Tamborindeguy na ARTRIO,
confesso que já tive um momento Narcisa. foi no início da década passada. eu passeava
pelo Shopping Cassino Atlântico, quando me deparei com um vernissage na hoje
extinta Galeria 21, dos queridos Afonso Costa e Valéria Braga. receberam-me com
uma taça de champanhe, e quando dei por mim estava de pileque e admirava obras
de arte que eu não fazia ideia de quem eram. a certa hora, deparei-me com uma
gravura que imediatamente reconheci ser de Oswaldo Goeldi. perguntei à Valéria
Braga pelo preço da gravura. ela, para minha surpresa, puxou um homem na casa
dos quarenta pelo braço e disse: “pergunte ao artista.” fiquei perplexo; pelo
que eu sabia Goeldi estava morto fazia algumas décadas, mas, pego de surpresa e
com champanhe na cabeça, resolvi tirar a história a limpo, virei-me para o
artista e perguntei: “você é o Goeldi?” a resposta foi um fulminante olhar de
desprezo. sem nada dizer, o artista deu me as costas e abandonou-me com minha
dúvida ignorante. mais tarde descobri que se tratava de uma intervenção no
trabalho de Goeldi e que o artista que me fora apresentado era o interventor,
Nuno Ramos.
o que Narcisa e eu temos em comum nesses dois momentos é
que quebramos a rígida norma de como se comportar no meio das artes. cometemos
o pecado capital de fazer perguntas tolas num meio que se proclama aristocrático.
o curioso é que a arte, como expressão da liberdade, tem como principal
objetivo, justamente, a quebra de hierarquias engessadas. muitos se perguntam
de que maneira a arte poderá evoluir daqui para frente, uma vez que todas as
barreiras criativas já foram superadas. talvez o caminho seja a queda da torre
de valetes, e o futuro da arte esteja na simples reconstrução horizontal. talvez
também não. mas certo é que episódios como o protagonizado por Narcisa devem nos
levar à reflexão; afinal, pode um ambiente com rígidos protocolos promover a livre
expressão?
Sunday, July 27, 2014
palavras e fotos
queria
poder fotografar as palavras. registrar o instante preciso que uma palavra
representa em determinado momento. palavras são camaleões emocionais, nunca,
jamais, repetem o mesmo significado. o frio de hoje é diverso do frio de ontem.
o amor de João é diferente do amor de Maria. gostaria de fotografar as palavras
para poder congelar exatamente o que se quis dizer em certo instante. depois que ditas, ninguém sabe repetir o que significam.
Sunday, July 20, 2014
conflito Israel x Palestina
o assunto mais ingrato para se comentar é o conflito
Palestina x Israel. quão maior o esforço de abordar a questão de forma neutra, maior
a certeza de que aquele conflito é um espelho de milhares de conflitos em todo mundo.
aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, vivemos situação bem parecida; milhares de pobres residem
praticamente trancafiados nas favelas e têm como principal apoio organizações
humanitárias e organizações criminosas locais. aqui não existe uma fronteira
física separando os dois lados, mas a fronteira invisível existe, e o lado de
cá não aprecia quando o lado de lá se aventura pelos shoppings e cinemas da área
nobre. a invasão militar, como resposta a crimes, também é um método que nós
usamos. quando um bandido de uma favela assassina uma mocinha da área nobre, o
Bope invade aquela favela e a ação também traz como efeito colateral a morte de
alguns civis. nossa sociedade, assim como Israel faz em relação à Palestina,
acostumou-se a tolerar a morte de civis nas favelas, quando o pretexto é manter
a ordem e reprimir criminosos que lá se escondem. por isso, não me sinto em
posição de opinar no conflito Israel x Palestina. creio ser preciso, antes de opinar
em conflitos alheios, arrumar a própria casa. desafio qualquer um a comparar o
número de civis mortos pela polícia brasileira ao de civis palestinos mortos
pelo exército de Israel. a nossa guerra causa mais mortes.
Saturday, July 19, 2014
a estranha moda das doações em festas infantis
a tradição de presentear o aniversariante originou-se nos
ritos religiosos: da mesma maneira que se acendia velas nos templos e se fazia
oferendas aos deuses, presentear o aniversariante (e acender velas no dia do
aniversário) era um gesto de desejar boa sorte e pedir proteção para o ano que
se iniciava. aos poucos, a tradição religiosa transformou-se num ato de carinho
com o aniversariante. finalmente, virou obrigação – ir num aniversário sem
presente é falta de educação. essa obrigação transformou o antigo rito num
festival capitalista. hoje, quando vamos num aniversário de criança, é preciso
passar antes numa loja de brinquedos. o resultado é, na regra, um monte de
presentes de plástico que são deixados de lado pela criança aniversariante após
poucos dias.
algumas mães, cientes desse consumo que perdeu o sentido e ecologicamente incorreto, resolveram
mudar o rito: pedem que os convidados façam doações a uma instituição que cuida
de crianças carentes. a iniciativa é em si muito nobre, mas distorce tanto a
origem do presente como o gesto carinhoso que o presente representa. pelo ponto
de vista da origem, deixamos de desejar sorte ao aniversariante; pelo ponto de
vista do carinho, ficamos impedidos de dar algo pessoal para o filho dum amigo
numa data especial.
sou 100% a favor de filantropia e penso que, num país desigual
como o Brasil, temos todos o dever moral de contribuir de alguma forma (seja
com dinheiro, com ajuda braçal, com doação de roupas ou até mesmo com
aconselhamentos) para ajudar pessoas carentes ou ignorantes, mas penso também que
é preciso tomar cuidado, para não distorcer o sentido dos gestos. quem quer
fazer filantropia, faz por livre vontade, não porque os pais dum aniversariante
pediram. e quem quer dar um presente para o filho dum amigo, tem o direito de
dar o presente.
Friday, May 30, 2014
raízes
penso que hoje o grande problema do Brasil é a
complexidade emocional que o país demanda dos brasileiros. não é a toa que
vivemos uma onde de violência sem precedentes, seja nas manifestações
enfurecidas, nos atos exaltados de grevistas, no roubo na esquina ou na
banalização de desentendimentos entre vizinhos. o constante bombardeio por
injustiças e corrupção, a decadência do sistema político, a inércia operacional
do aparato público e a falência de setores primordiais, como educação e saúde, levam
os brasileiros a uma exaustão emocional diária, que, não é a toa,
transformaram-nos no maior consumidor de Rivotril do mundo.
qual a solução? mudar-se para fora do país não seria, também,
uma forma de rivotrilar-se? ficar e estressar-se à exaustão não seria um desgaste
desnecessário? creio que, quando tudo parece estar errado, a transformação está
em curso. o desequilíbrio do meio é, talvez, a maior escola da alma humana. por
isso, chega dessa conversa de sair do Brasil. aqui é o nosso lar. aqui é nossa
escola da vida. árvore que cresce durante a tempestade cresce apta a enfrentar qualquer
turbulência futura. o segredo é não descuidar das raízes.
Friday, May 23, 2014
massa humana
quem conseguir por um instante quebrar qualquer vínculo prático
ou emocional com o mundo perceberá que, apesar de tantos males, não há nada
mais apaixonante que a massa humana. é na absoluta contradição que somos
fascinantes. como fagulhas dum imenso fogo, na tentativa de preservar a madeira
que as chamas consomem.
Sunday, May 18, 2014
porta para o novo
e de repente surge uma porta. vaga-se por semanas, meses, anos,
sem encontrar saída, então, de forma aparentemente inexplicável, surge uma passagem.
espia-se pela fechadura, e o novo arranca as entranhas da zona de conforto. o impulso
é trancar a porta e apegar-se ao antigo, que, até então, não trazia atrativo
algum, mas o antigo se dissolve e deixa somente duas opções: atravessar a porta
e viver o novo ou permanecer e dissolver-se também.
Monday, May 12, 2014
tempo de retração (greve de ônibus e de professores)
voltemos, então, aos tempos do homem da caverna; sem ônibus, só nos resta ficar em casa, e, sem professores, às crianças também. da televisão se faça a nova alegoria da caverna, imagens do mundo nas paredes dos lares. existe solução? dentro do sistema, definitivamente não. quando o caos se consolida ao ponto de nos jogar de volta às opções primitivas dos primórdios, só nos resta descartar o universo que julgávamos compreender. é tempo de retração.
Thursday, December 12, 2013
projeto Porto Maravilha e o caos provocado pelas chuvas
grande parte dos investimentos feitos no Rio de Janeiro estão indo para o projeto Porto Maravilha. a pergunta inevitável, após o caos das chuvas: o Porto Maravilha é prioridade? discordo das comparações com Buenos Aires, pois são duas realidades distintas. Buenos Aires não tinha áreas de lazer em contato com a água, por isso revitalizaram o porto. uma vez que a capital da Argentina beira o famoso Rio da Prata, era fundamental, para o turismo da cidade, que a região portuária, em contato com o Rio da Prata, fosse revitalizada. No Rio de Janeiro, o grande atrativo turístico e de lazer são Ipanema, Copacabana e todas as outras praias (além de museus, Corcovado etc). Muito mais importante, para o turista e o carioca, do que revitalizar o porto, seria despoluir, de uma vez por todas, as praias. também seria infinitamente mais barato. e o com o restante da verba, seria possível resolver questões que se alastram por décadas, como o alagamento da Av. Brasil em dias de forte chuva e o estado precário do Museu da Quinta da Boa Vista. não sou contra a revitalização do porto; apenas considero que há centenas de outras prioridades.
Saturday, November 30, 2013
doce vida insana
doce vida: estava sozinho no escritório, os olhos fixos na
tela do computador. desvio o olhar e vejo um passarinho amarelo pousado no
parapeito da janela, olhando para dentro da sala. parei o que fazia e observei o
pássaro que lá ficou por um minuto. eu trabalho naquele mesmo escritório há
quatro anos, e nunca antes um pássaro admirou minha sala. quanto mais eu penso
sobre esse momento singular, mais tenho a certeza de que não há qualquer lição
ou ensinamento no episódio. tratou-se, somente, dum pássaro observando minha
sala. o encanto daquele momento está justamente nessa ausência de qualquer propósito,
como o sorriso das crianças ou a estrela cadente. são as sutilezas sem objetivos
que fazem doçura da vida insana.
Saturday, November 23, 2013
arte low cost
tenho minhas dúvidas a respeito dos tantos projetos
(sites, lojas, galerias etc.) de slogan “arte barata”. o chamariz é sempre o
mesmo: arte acessível, arte para todos os bolsos. incomoda que o critério
principal é o preço baixo das obras, fazendo uma suposta oposição ao mercado capitalista
da arte, que estaria promovendo preços exorbitantes. bem, no momento em que o
critério de seleção é o preço (mesmo que baixo), cai-se numa tremenda armadilha
contraditória: o critério primordial de qualquer mercado é justamente o
preço. ou seja, no final das contas, tudo gira em torno do preço, e a venda de
arte low cost é igualmente alinhada com o mercado. explora-se apenas um
público diverso das grandes galerias. algo como as lojinhas que vendem tudo
por 99 centavos.
Monday, October 21, 2013
instituto Royal e os testes em animais
há dois fatos que se misturam na questão do instituto
Royal: uma é a invasão do instituto; a outra é o uso de cães e gatos em
experimentos. vou me limitar apenas aos experimentos.
poucos séculos atrás, havia escravos no mundo, e dizia-se
que, sem escravos, não haveria a possibilidade de se promover o progresso da
humanidade. foi preciso muita pressão e ativismo, para derrubar as verdades
enraizadas nas sociedades daqueles tempos. hoje, a humanidade quer que se encontre
métodos alternativos para experimentos com animais.
é uma posição extremamente confortável dizer que não há
outro caminho. não há, porque não há pressão para que haja. se deixássemos, os
laboratórios testariam remédios em crianças, aliás, há milhares de relatos de
experimentos ilegais com pessoas na África. se hoje ainda não existem caminhas
alternativos, os ativistas querem, ao menos, limites. cães e gatos são animais
de estimação, que nos são muito próximos. da mesma forma que é proibido comer
cães, pessoas querem o fim dos experimentos com cães. querem que se limite os
experimentos, enquanto não haja outra alternativa, aos ratos de laboratório; e
que, a curto, médio ou longo prazo, também os ratos sejam poupados desses
testes cruéis.
Thursday, October 17, 2013
a polêmica em torno de chico buarque
sempre achei exagerado o culto em torno de chico buarque, um exemplo clássico em que o público confunde criação com criador. a verdade é que chico canta bem, chico escreve bem, chico tem olhos verdes e ponto. tudo além é imaginação. por isso, agora, esse ódio exagerado, como se a máscara de chico tivesse caído. é preciso perceber que chico nunca vestiu máscara alguma, sua imensa legião de fãs é que o mascarou de homem perfeito. agora, faz-se um falso demônio do falso santo. o chico pessoa é apenas um sujeito igual a nós, com opiniões controversas e talvez equivocadas, como todos nós as temos. o mesmo vale para caetano e roberto carlos. é preciso parar de dar tanta importância às opiniões dos artistas; o que conta é o que criaram. afinal, um rouxinol também canta como poucas aves, mas nem por isso é formador de opinião no reino animal.
Tuesday, September 03, 2013
velas ao vento, navegante
existe algo maior que o brilho nos olhos dum jovem, aquele
luzir arrogante que atropela pessimismo e desesperança, desafiando-nos a ver um
futuro renovado, em que sonhos e certezas se fundem num aconchego, num abraço
de esperança incontida, revelando que nossas verdades não passam de tolas cicatrizes,
traumas de um mundo que parece punir os sonhadores, enquanto, na verdade, apenas
pune os que desistem? velas ao vento, navegante.
Sunday, August 18, 2013
sonhadores x céticos
até entendo que há quem não acredite em mudanças. mesmo que
ao longo de, sei lá, talvez uns 200 anos, a Europa passou de reinados e impérios
autoritários a democracias consolidadas, há pessoas que acham que nada muda,
convictas de que se expressar contra o sistema é uma pura perda de tempo. até
aí, tudo bem, cada um com suas convicções. agora, o que eu não consigo entender
é por que esses céticos tanto se incomodam com quem sonha com um Brasil melhor.
parece-me que a simples esperança dos sonhadores ameaça a inerte zona de
conforto em que os descrentes se instalaram. o que os incrédulos não percebem é
que aqueles que sonham com um país melhor desejam melhorias que beneficiarão todos,
inclusive os céticos, e só por isso já merecem ter sua causa legitimada. em
comparação, a inércia de um descrido favorece somente o conforto próprio, a
manutenção de hábitos automatizados, que, de alguma forma, tornam aceitáveis
ser refém de um sistema injusto e doente.
Thursday, August 01, 2013
Thursday, July 25, 2013
o papa no Rio de Janeiro
nada tenho contra o papa ou qualquer outro líder religioso.
o que me enlouquece é essa sequência de eventos que prejudicam o ritmo de
trabalho no Rio de Janeiro. para-se pro Ano novo, em seguida, pro Carnaval,
depois, pra Semana Santa e, quando finalmente o ano deveria começar, temos Copa
das Confederações e Feriados do Papa.
existe essa máxima de que os eventos são benéficos para a cidade,
mas mesmo eu, que dependo diretamente do turista no meu negócio, tenho prejuízo
com eventos. contradição? não. o turista de evento é conhecido por consumir
pouco. o fã de futebol tem os centavos contados para comprar entradas pros
jogos e cerveja. o folião de rua vem para desfilar nos blocos e, também,
consumir cerveja. o peregrino nem cerveja consome. existem estudos mostrando
que a economia gerada em torno de eventos fica, na regra, bem abaixo do
esperado. telefonei para uma loja dum dos maiores pontos de turismo do rio e
perguntei se estavam vendendo bem, a reposta: muitos turistas, eles entram nas
lojas, olham tudo e levam, no máximo, um chaveirinho de recordação. o peregrino
vem para visitar um evento e não a cidade, assim, existe uma relação menor de
consumo. o grande interesse é o evento, caso o mesmo evento fosse do outro lado
do mundo, ele iria pro outro lado do mundo. ou seja, visitar a cidade, no caso,
o Rio de Janeiro, é somente consequência e não prioridade.
os turistas de eventos lotam os hotéis e acabam, assim,
afastando o turista comum, aquele que vem com a família, para visitar a cidade. o
turista comum compra nos shoppings, consome no ponto de turismo, vai nos bons
restaurantes e assim por diante. o turista comum, do dia-a-dia, está de férias,
e quer usufruir ao máximo do descanso na cidade que ele escolheu a dedo, entre
tantas outras possíveis. por isso, ele se dá o luxo de gastar um pouco a mais,
assim como nós, quando vamos ao exterior fazer turismo.
sediar um evento de grande porte, então, no período de
férias escolares, momento de maior fluxo de turismo comum, não faz qualquer
sentido para o Rio de Janeiro. se eu, que vivo diretamente do turismo, não tenho
vantagem econômica em eventos, imagine uma proprietária de lojas de tecido, o
florista, o corretor de imóveis, o oculista e tantos outros.
é claro que a questão não é sobre mim, o oculista ou o
florista. é sobre o conjunto de todos nós, nós cariocas, que somos o Rio de
Janeiro. a pergunta que é preciso se fazer daqui pra frente: vale a pena, para nós,
sediar esses megaeventos? não seria melhor investir no turismo comum,
explorando o enorme potencial turístico que o Rio de Janeiro tem? acredito que
eventos de grande porte sejam muito mais atraentes para cidades que, na norma,
não tem um grande fluxo de turismo. não é o caso do Rio.
Monday, July 22, 2013
a questão da alto dos aluguéis no Rio de Janeiro
de uns cinco anos pra cá, os preços dos imóveis na cidade do Rio de Janeiro dispararam, e não houve nem há iniciativa política para reverter esse cenário. é como se a alta dos imóveis fosse um realidade sem solução. fala-se muito nos fatores que levaram a elevação dos preços, mas não há qualquer movimento, por parte de nossos governantes e legisladores, para combater essa distorção que afeta, de forma negativa, a economia da cidade.
o custo dos imóveis tem impacto em inúmeros serviços, por exemplo, os prestados por escolas, restaurantes, consultórios médicos e oficinas, pois, com o aumento de aluguéis, os estabelecimentos são obrigados a repassar o alto custo fixo aos serviços ofertados.
acompanho o mercado de aluguéis no Rio de Janeiro há mais de 10 anos, pois vivo em imóvel alugado. o que mais chama a atenção é a diminuição de imóveis disponíveis para alugar. uma rápida busca nos classificados ZAP mostra que, para cada seis apartamentos a venda no Rio de Janeiro, existe somente um para ser alugado, ou seja, uma proporção venda/aluguel de 6/1, enquanto, num mercado equilibrado, essa proporção, na regra, gira em torno de 2/1. antigamente, quando eu queria alugar um imóvel, a decisão era minha. hoje, a decisão é do proprietário, pois, pra cada imóvel dentro de meu orçamento, existem outras 10 pessoas interessadas. sobra procura e falta demanda de apartamentos para alugar, o que faz o preço disparar.
a razão de existirem muitos apartamentos a venda e poucos para alugar já foi explicada, exaustivamente, por analistas de mercado: 1) os preços altos de venda impossibilitam a compra por grande parte da população, saturando o mercado de aluguéis. 2) com a alta do preço dos imóveis, quem tem um imóvel extra quer realizar o lucro (pôr os milhões no bolso), com receio de que a valorização seja temporária. 3) mesmo os alugueis estando muito altos, existe um limite do que a renda familiar média permite gastar com aluguel, fazendo com que vender um imóvel e aplicar esse dinheiro seja mais lucrativo do que pôr o imóvel para alugar.
é nesse ponto que se evidencia a ausência de inciativa de nossos governantes. não existe qualquer política para trazer os imóveis parados, no balcão de venda, de volta para o mercado de aluguel, forçando, assim, uma queda dos preços de aluguéis. há dois mecanismos simples que poderiam ser implantados:
- a prefeitura poderia isentar, temporariamente, imóveis alugados de IPTU. essa iniciativa baixaria também o preço de venda dos imóveis, pois seria mais interessante alugar e fugir do IPTU, do que financiar e pagar o IPTU, desestimulando a especulação imobiliária.
- o governo federal poderia diminuir, também temporariamente, o IR sobre o aluguel de imóveis (que chega a 27,5% do valor recebido) torando o aluguel mais interessante para os proprietários de imóveis. nesse caso, a diminuição só valeria para quem tivesse, no máximo, dois imóveis para alugar, evitando assim mais especulação imobiliária.
citei apenas duas ideias que me ocorreram, mas certamente existem outros mecanismos, inclusive, para diminuir o valor de compra e venda. a disparada dos preços de imóveis é vista com total inércia por nossos governantes, como se fosse uma variável impossível de ser influenciada, mas não é.
o custo dos imóveis tem impacto em inúmeros serviços, por exemplo, os prestados por escolas, restaurantes, consultórios médicos e oficinas, pois, com o aumento de aluguéis, os estabelecimentos são obrigados a repassar o alto custo fixo aos serviços ofertados.
acompanho o mercado de aluguéis no Rio de Janeiro há mais de 10 anos, pois vivo em imóvel alugado. o que mais chama a atenção é a diminuição de imóveis disponíveis para alugar. uma rápida busca nos classificados ZAP mostra que, para cada seis apartamentos a venda no Rio de Janeiro, existe somente um para ser alugado, ou seja, uma proporção venda/aluguel de 6/1, enquanto, num mercado equilibrado, essa proporção, na regra, gira em torno de 2/1. antigamente, quando eu queria alugar um imóvel, a decisão era minha. hoje, a decisão é do proprietário, pois, pra cada imóvel dentro de meu orçamento, existem outras 10 pessoas interessadas. sobra procura e falta demanda de apartamentos para alugar, o que faz o preço disparar.
a razão de existirem muitos apartamentos a venda e poucos para alugar já foi explicada, exaustivamente, por analistas de mercado: 1) os preços altos de venda impossibilitam a compra por grande parte da população, saturando o mercado de aluguéis. 2) com a alta do preço dos imóveis, quem tem um imóvel extra quer realizar o lucro (pôr os milhões no bolso), com receio de que a valorização seja temporária. 3) mesmo os alugueis estando muito altos, existe um limite do que a renda familiar média permite gastar com aluguel, fazendo com que vender um imóvel e aplicar esse dinheiro seja mais lucrativo do que pôr o imóvel para alugar.
é nesse ponto que se evidencia a ausência de inciativa de nossos governantes. não existe qualquer política para trazer os imóveis parados, no balcão de venda, de volta para o mercado de aluguel, forçando, assim, uma queda dos preços de aluguéis. há dois mecanismos simples que poderiam ser implantados:
- a prefeitura poderia isentar, temporariamente, imóveis alugados de IPTU. essa iniciativa baixaria também o preço de venda dos imóveis, pois seria mais interessante alugar e fugir do IPTU, do que financiar e pagar o IPTU, desestimulando a especulação imobiliária.
- o governo federal poderia diminuir, também temporariamente, o IR sobre o aluguel de imóveis (que chega a 27,5% do valor recebido) torando o aluguel mais interessante para os proprietários de imóveis. nesse caso, a diminuição só valeria para quem tivesse, no máximo, dois imóveis para alugar, evitando assim mais especulação imobiliária.
citei apenas duas ideias que me ocorreram, mas certamente existem outros mecanismos, inclusive, para diminuir o valor de compra e venda. a disparada dos preços de imóveis é vista com total inércia por nossos governantes, como se fosse uma variável impossível de ser influenciada, mas não é.
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