
Outra foto feita no Pantanal. A ave é um gavião-caboclo. A coloração branca é resulltado de exposição prolongada.
Sei que as rodinhas de futebol na beira do mar incomodam muitos banhistas, com razão. Não é agradável levar uma bolada na cara, na hora do mergulho. Mas, verdade seja dita, a paixão do Brasil pelo futebol realmente é admirável. Nada mais justo do que fazer a Copa de 2014 no Brasil. A foto ao lado foi tirada na praia de Ipanema, no início de 2009. Contei ao todo 7 bolas de futebol nessa foto. Não houve manipulação digital nas cores, o pôr-do-sol realmente foi espetacular naquele dia. Somente realcei as bolas, para destacar o futebol. Esta foto foi escolhida para ser presenteada à Comissão da Fifa, responsável por escolher as sedes para a Copa de 2014. Espero que tenha ajudado.
Hoje vou fugir um pouco da fotografia, mas no final retorno. Viajo a meus 20 e poucos anos, quando li um dos livros mais antigos da humanidade, o I CHING. Uma frase em especial fixou-se na minha memória: “A verdade traz nenhum arrependimento.” Sempre achei a frase divina, mas nunca a compreendi. O tempo correu e a frase correu junto, retornando esporadicamente à memória. Passaram-se dez anos e finalmente decifrei o óbvio: aquele que é verdadeiro, não se arrepende. Ser verdadeiro, no mundo de hoje, nem sempre é tarefa fácil, pois as máscaras sociais nos afastam da verdade. Muitas vezes acreditamos ser verdadeiros, mas não somos. Dois exemplos rápidos. Exemplo 1) Um casal vai à praia, onde combinaram encontrar-se com outro casal. A mulher esquece o protetor solar, mas só se dá conta do descuido quando já estão no meio do caminho. Ela pede ao marido para retornar à casa, mas ele argumenta que não, pois chegariam atrasados ao encontro. Após uma breve discussão ela aceita ir a praia sem o protetor solar, pois não “pega bem” (= máscara social) deixar o outro casal esperando. Conclusão: no final do dia a mulher esta toda vermelha, a pele ardendo. Além da dor, ela fica se queixando a Deus e o mundo, que não deveria ter aceito os argumentos do marido, "o casal de amigos que esperasse, afinal, a saúde vem em primeiro lugar". Exemplo 2) Um homem metido a machão vai à praia em um dia ensolarado também acompanhado da mulher. Ela tenta convencê-lo a passar protetor solar, mas ele se recusa, acreditando isso ser frescura. À noite, ele está todo ardendo, a pele vermelha, devido a falta de protetor solar. Mas não se arrepende. Da mesma forma que, segunda a verdade dele, usar protetor solar é “coisa de fresco”, ele acredita que homem de verdade agüenta as queimaduras do sol. E a falta de arrependimento traz ausência de raiva, com outras palavras, o homem está feliz, mesmo queimado.
Retorno à fotografia. Você que é um fotógrafo apaixonado, siga sempre a sua verdade. Não se desvie do seu trabalho por razão alguma nesse mundo. Assim, independente onde você chegar na profissão (ou no caminho de amador), você estará realizado. No ato criativo a verdade é única semente saudável. Na fotografia em particular, a sua verdade é a única luz que deve passar por sua lente.




A liberdade é a busca mais intrigante do ser humano, pois ela não existe da forma como muitos a desejam. Vivemos presos a um sistema complexo, composto por nossa cultura, hábitos familiares, influência de amigos, fatos experimentados e diversos outros fatores. E mesmo se conseguíssemos nos libertar deste sistema, ainda estaríamos acorrentados a nossa constituição biológica, que nos impõem a maneira de ver o mundo. Por esta razão, o momento mais próximo à liberdade que podemos experimentar ocorre quando cerramos os olhos, deixando brotar, na escuridão do nosso ser, a luz do inconsciente. Assim, necessariamente, questionamos o conceito da prisão: um homem trancafiado em um presídio de segurança máxima pode ter maior acesso à liberdade que a sociedade que o aprisionou. Afinal, ele tem tempo de sobra para cerrar os olhos.
A crise que atualmente está derrubando as economias de todo mundo, não é uma crise bancária. Também não é a crise de Bush, conforme afirmou o nosso presidente. Tão pouco foi causada por especulação nos mercados imobiliários. Trata-se, acima de tudo, de uma crise de valores. É difícil explicar este ponto de vista sem entrar no clichê do monstro capitalista mastigando a alma humana.
Há décadas filósofos, líderes espirituais e outros teóricos vem alertando a humanidade dos perigos da inversão de princípios. Chegamos ao ponto em que tudo, absolutamente tudo, é medido em dinheiro. Ao se discutir a preservação da Amazônia, a questão central sempre é o valor financeiro da Amazônia. Ninguém simplesmente diz: “vamos preservá-la pois a floresta é linda” ou “é preciso preservar para que futuras gerações tenham o privilégio de conhecê-la.”. O mesmo fenômeno ocorre na arte, o valor de uma obra está no preço. O sujeito quer ter a obra mais cara possível em casa, pois essa, na visão atual do mundo, é a melhor de todas.
A bolha do mercado imobiliário não foi causadora da crise, mas conseqüência. Pessoas penhorando as suas casas em troca de crédito, mesmo quando não precisavam deste crédito, chega a ser insanidade. Arriscaram o que durante séculos considerou-se o único bem intocável do homem, a casa própria, para comprar uma televisão maior e ter o carro do ano. É falácia dizer que Wall Street causou a crise atual; quem a causou fomos todos nós. Wall Street apenas especulou em cima de nossa visão distorcida do mundo, acelerando a conseqüência inevitável.
Do ponto de vista histórico, a crise vem da evolução de um sistema existente desde os grandes impérios e reinados. Quando um rei precisava de dinheiro, geralmente por ter feito uma má gestão, concedia títulos aos ricos comerciantes, em troca de generosas doações. Através destes títulos os comerciantes tinha acesso ao ciclo social, ou seja, passaram a ter um status. No século XX, na visão capitalista do mundo, estes títulos tornaram-se dispensáveis. Bastava ter dinheiro, que automaticamente o acesso aos ciclos sociais estava garantido, principalmente em economias novas, como EUA, Brasil e, recentemente, China e Rússia. Assim pulou-se a etapa formal do “aval do rei”, e a busca social, por si só já condenável, fugiu do controle. Qualquer um, do favelado ao doutor universitário, poderia ingressar na "sociedade" de uma hora para outra, bastava acumular fortuna, mesmo que de forma ilícita. E só para deixar bem claro, o problema central da questão não é um favelado freqüentar os ciclos da "alta sociedade", mas a necessidade da humanidade de se destacar socialmente. A riqueza deixou de ser garantia de conforto e segurança, para tornar-se uma escada social.
Também nos hábitos de consumo há uma grande distorção. Nada contra o consumo, afinal, todos nós precisamos de dinheiro para sobreviver. O problema do consumo está na relação produto novo / status social. Um ser humano dirigindo o mais recente lançamento da indústria automobilística, ou seja, o carro zero, é mais considerado que outro, com um carro de cinco anos atrás. O mesmo vale para as bolsas femininas e os celulares. O sujeito que usa o mesmo celular por mais de dois anos, acaba virando alvo de piada entre os amigos. Mas como fugir deste modelo sem abalar os milhares de empregos que dependem desta constante renovação, principalmente nas indústrias ? É simples, trocando-se a novidade pela manutenção. Se a humanidade optar por ficar com o mesmo carro por dez anos, surgirão milhares de novas vagas em oficinas mecânicas, pois carros antigos precisam de manutenção. Hoje tornou-se mais barato jogar uma impressora defeituosa no lixo a concertá-la. Além de contribuir para a futura escassez de matéria prima, este fenômeno é um reflexo claro da ditadura do novo; a demanda pelo novo é tão grande que este tornou-se barato.
Os astrólogos estão celebrando a suposta chegada da era de aquários, que, segundo previsões, estria se instalando em 2012, livrando a humanidade da ganância e da imagem social. A “era do ter” estaria sendo substituída pela “era do ser”. Sem entrar no mérito desta ciência quase religiosa, seria um modelo interessante para o homem, um passo maduro para o futuro. Deixar de competir por uma imagem vaga e abstrata, para simplesmente viver a existência, de forma responsável, como na música “Imagine” de Lennon. Voltando a questão da quebra de Wall Street, todo mal se destrói sozinho, e, nesse caso, quem se autodestruiu foram os valores adotados pela humanidade. Estamos vivendo um momento extraordinário, o mais importante desde a reconstrução do mundo após a Segunda Guerra Mundial. Tempos de dificuldade sempre trazem em si a semente do recomeço. Cabe a nós, aproveitar esta oportunidade, solucionando de uma só vez três questão coligadas: o aquecimento global, a desigualdade no mundo e o desespero doentio por um lugar ao sol, quando o sol, por natureza, brilha para todos.

O título desta minha foto (a imagem de cima) diz praticamente tudo, a imagem simboliza o retorno das águas após a passagem de Moisés pelo mar vermelho. Tirada em 2006 nas Cataratas do Iguaçu, tornou-se um de meus trabalhos mais importantes. A imagem nasceu e complementa a foto “sem título” (a imagem de baixo) que foi apelidada de “Moisés”, por dois colecionadores, um sem saber do outro, razão pela qual adotei o título informalmente. No caso desta segunda foto (a de baixo) temos o divisor das águas. Ou seja, as duas fotos juntas representam e simbolizam a passagem de Moisés pelo mar vermelho.

Acabei de receber um telefonema de minha galerista que está em Paris, acompanhando a ampliação de alguns dos meus trabalhos em Cibachrome. Normalmente acompanho pessoalmente qualquer ampliação, mas se tratando de Cibachrome nem sempre é possível, pois o processo somente é feito em Paris (com qualidade excpcional a um preço viável). Mas voltando ao telefonema, acabo de ser informado que o laboratório está fechando as portas mês que vem. A razão: dificuldade para se conseguir matéria prima para o processo analógico. Acredito que os outros poucos laboratórios que trabalham com Cibachrome no mundo irão seguir o exemplo – ou seja, o mais perfeito processo de ampliação colorida está chegando ao fim.
Algumas fotografias entraram para a história. O famoso fotógrafo de guerra, Robert Capa, foi o quem mais contribuiu com imagens históricas para a humanidade. O grande marco deste foto-jornalista foi a cobertura da Segunda Guerra Mundial. A foto ao lado (a de cima) foi clicada no Dia D, uma das mais violentas batalhas de todos os tempos. Capa foi um dos fundadores da famosa agência Magnum, com Cartier Bresson e Gerorge Rodger. Outra foto muito famosa de Capa é a morte do soldado (a de baixo), tirada durante a sangrenta Guerra Civil Espanhola. Robert Capa morreu em 1954, aos 41 anos de idade, por pisar em uma mina, na Guerra da Indochina.
